Quem tem um precatório ou uma RPV a receber está pesquisando mais sobre o assunto nas últimas semanas, e não por acaso: o dinheiro está, de fato, se movendo. Entre abril e agosto de 2026, a Justiça Federal já liberou dezenas de bilhões de reais em créditos judiciais contra a União, o INSS e outras entidades federais. Este texto organiza o que já aconteceu neste ano, o que ainda está previsto, e como você confirma se o seu crédito está entre os que já saíram do papel.
Quanto o governo federal vai pagar em precatórios em 2026?
O orçamento de 2026 reservou aproximadamente R$ 69,7 bilhões para o pagamento de precatórios federais, valor definido no cronograma anual de desembolso que o Conselho da Justiça Federal publicou no Diário Oficial da União em 10 de fevereiro de 2026. Esse total cobre precatórios inscritos dentro do prazo legal, com pagamento obrigatório até 31 de dezembro de 2026, conforme determina a legislação orçamentária.
Vale um dado que ajuda a entender a dinâmica desses pagamentos: cerca de 97,6% dos precatórios federais inscritos são de valor mais baixo, até R$ 1 milhão. Isso significa que a maior parte dos créditos tende a ser paga com mais regularidade, já que valores menores pesam menos no fluxo de caixa liberado a cada etapa.
Quando começaram os pagamentos de precatórios em 2026?
A primeira grande janela de liberação começou na primeira quinzena de abril de 2026, conforme o cronograma do CJF. Na prática, cada Tribunal Regional Federal definiu sua própria data dentro dessa janela:
- TRF5 liberou os valores para saque a partir de 31 de março de 2026, incluindo precatórios de natureza alimentar e não alimentar, além de parcelas do FUNDEF referentes a 2024, 2025 e 2026.
- TRF4 disponibilizou os valores a partir de 9 de abril de 2026, com um total de R$ 9,65 bilhões liberados para 63.591 beneficiários, em 37.330 precatórios. Desse montante, R$ 6,35 bilhões corresponderam especificamente a processos previdenciários e assistenciais, como revisões de aposentadoria, auxílio-doença e pensões. Só o Rio Grande do Sul recebeu R$ 4,79 bilhões dessa fatia, para 31.293 beneficiários.
Cada TRF publica sua própria data de disponibilização, então o calendário nacional funciona como uma janela geral, dentro da qual cada tribunal organiza o repasse conforme sua estrutura interna.
O que é essa nova liberação de R$ 3,31 bilhões de agosto?
Em 20 de agosto de 2026, o CJF autorizou uma liberação distinta da janela de abril: R$ 3,31 bilhões especificamente para Requisições de Pequeno Valor (RPVs), não para os precatórios de maior valor do calendário anual. Desse total, R$ 2,75 bilhões foram destinados a ações ligadas ao INSS e a benefícios assistenciais, cobrindo revisões e concessões de aposentadoria, pensões, auxílio por incapacidade e outros benefícios.
Essa parcela específica do INSS contempla 125.963 processos e 173.283 beneficiários, dentro do total geral de 220.110 processos e 280.193 beneficiários do lote inteiro. Em número de processos, os créditos ligados ao INSS representam 57,2% do total dessa liberação, mas concentram cerca de 83% de todo o valor, o que mostra o peso previdenciário dentro do lote.
Um detalhe técnico que explica por que esse valor é diferente do calendário de abril: essas RPVs correspondem a processos autuados em julho de 2026, o que indica que, diferente do precatório (pago numa janela anual única), a RPV segue um fluxo mais contínuo ao longo do ano, vinculado ao momento em que cada requisição é formalmente registrada.
Quanto cada Tribunal Regional Federal recebeu dessa liberação de agosto
O valor não foi dividido de forma igual entre os seis tribunais. Cada um recebeu uma fatia proporcional ao volume de processos sob sua jurisdição:
TRF | Estados atendidos | Total liberado | INSS e benefícios assistenciais |
TRF1 | DF, GO, TO, MT, BA, PI, MA, PA, AM, AC, RR, RO, AP | R$ 1,09 bi | R$ 908,2 mi |
TRF2 | RJ, ES | R$ 303,9 mi | R$ 220,6 mi |
TRF3 | SP, MS | R$ 417,8 mi | R$ 321,4 mi |
TRF4 | RS, PR, SC | R$ 664,6 mi | R$ 562,5 mi |
TRF5 | PE, CE, AL, SE, RN, PB | R$ 538,2 mi | R$ 460,0 mi |
TRF6 | MG | R$ 300,8 mi | R$ 272,6 mi |
Total | 26 estados + DF | R$ 3,31 bi | R$ 2,75 bi |
Fonte: Conselho da Justiça Federal (CJF).
O TRF1 concentrou a maior fatia (R$ 1,09 bilhão), reflexo da amplitude de sua jurisdição, que cobre treze unidades federativas. A Bahia, especificamente, é administrada por esse tribunal e recebeu parte relevante desse montante.
Por que existem duas liberações diferentes no mesmo ano?
Porque precatório e RPV seguem lógicas distintas de pagamento. O precatório integra o cronograma anual, definido no orçamento e liberado dentro de uma janela específica (neste caso, a partir de abril). A RPV, por ter valor menor e trâmite mais ágil, pode ser liberada em diferentes momentos ao longo do ano, conforme o volume de requisições autuadas e a disponibilidade de recursos do CJF, sem depender de uma única janela orçamentária anual como os precatórios de maior valor.
É por isso que, historicamente, além da leva de abril, novas liberações costumam acontecer em outros meses do ano, incluindo julho e novembro, conforme a disponibilidade de caixa da União.
Como sei se meu crédito está entre os que já foram liberados?
A liberação de recursos pelo CJF para os TRFs não é a mesma coisa que a disponibilização individual do seu pagamento específico. O anúncio geral confirma que o dinheiro chegou ao tribunal; a confirmação de que o seu crédito está incluído depende de consulta individual, pelo CPF, diretamente no sistema do Tribunal Regional Federal responsável pelo seu processo.
Isso vale tanto para quem tem precatório quanto para quem tem RPV: o valor total liberado não significa automaticamente que todo mundo com processo em andamento vai receber. É preciso que a requisição específica esteja formalmente incluída no lote liberado.
Onde o dinheiro cai depois de liberado?
O valor não vai direto para a conta bancária que você usa no dia a dia. Ele é depositado numa conta específica, aberta em nome do beneficiário no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal, exclusivamente para esse pagamento. Depois que o TRF confirma a disponibilidade, o saque pode ser feito em agência, mediante apresentação de documentos, ou, em alguns casos, transferido para uma conta indicada pelo advogado que acompanha o processo.
Se meu precatório não foi incluído na leva de 2026, o que acontece?
Precatórios expedidos depois do prazo legal de inclusão no orçamento de um exercício automaticamente entram na lista do exercício seguinte. Ou seja, quem teve o crédito reconhecido depois da data-limite para o orçamento de 2026 deve esperar o cronograma de 2027, o que é comum para quem venceu a ação mais recentemente.
Faz sentido esperar essas liberações ou negociar a antecipação agora?
Depende do tipo de crédito e do momento financeiro de quem está esperando. Se sua RPV já está formalmente incluída num lote liberado, o prazo até o saque tende a ser curto, e esperar pode ser a melhor opção. Já para precatórios de maior valor, presos à ordem cronológica geral, o histórico mostra prazos que se estendem por anos, o que muda a equação: quem precisa de liquidez agora pode considerar a antecipação por cessão de direitos, transferindo o crédito para uma empresa especializada, que assume a espera e paga um valor líquido imediato.
Não existe resposta única. A decisão depende de quanto tempo falta, do valor em jogo e da urgência real de quem tem o crédito a receber.
Perguntas frequentes sobre o pagamento de precatórios em 2026
Quando os precatórios federais de 2026 começaram a ser pagos?
A liberação começou na primeira quinzena de abril de 2026, com cada Tribunal Regional Federal definindo sua própria data dentro dessa janela, como 31 de março no TRF5 e 9 de abril no TRF4.
A liberação de R$ 3,31 bilhões de agosto é a mesma coisa que o calendário de abril?
Não. A liberação de agosto é específica para RPVs, com processos autuados em julho de 2026, e segue uma lógica diferente do cronograma anual dos precatórios de maior valor, liberado em abril.
Todo aposentado do INSS vai receber algum valor dessa liberação?
Não. Só quem tem ação judicial vencida contra o INSS, com uma RPV formalmente incluída neste lote específico, recebe o valor. O anúncio geral não garante pagamento individual automático.
Existe prazo final para o governo pagar os precatórios de 2026?
Sim. Os valores incluídos na proposta orçamentária de 2026 devem ser pagos até 31 de dezembro de 2026, conforme a legislação orçamentária vigente.
Meu precatório é de valor alto. Ele entra na mesma liberação das RPVs?
Não necessariamente. Precatórios de maior valor seguem a ordem cronológica geral prevista na Constituição, com pagamento que pode se estender por anos, diferente da RPV, que tem trâmite mais ágil.
Por que o dinheiro liberado não aparece direto na minha conta bancária normal?
Porque o pagamento vai para uma conta específica, aberta no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal em nome do beneficiário, e só pode ser sacado depois que o TRF confirma a disponibilidade.



